Em recente audiência pública na Câmara Municipal sobre a discussão da Lei Orçamentária Anual, em 2027, o secretário de assuntos de segurança pública, Maurício Izumi, teve a cara de usar o microfone para afirmar que os GCMs “trabalham motivados”.
Olha o que o estimado disse: “Não é achismo. É número. Se os números estão bons em termos de produtividade, é claro que estão [guardas] motivados”.
De pronto, o presidente do Sindicato, Adriano Pixoxó, rebateu as falas mentirosas. “Será mesmo que os guardas em Praia Grande estão motivados?”, ironiza, com um dado diferente, pois a prefeitura mostrou que 39% ou 296 profissionais deixaram a corporação por problemas diversos.
“Eles abriram mão de estabilidade e pediram exoneração. Nessa concepção, o secretário está confundindo motivação com sobrecarga de trabalho. E contra fatos não há argumentos”, dispara.
Em áudios enviados para nosso canal de ouvidoria, o coronel Maurício Izumi, em mensagens de WhatsApp, cobra “o número baixo de abordagens e averiguações”. E prossegue: “uma cidade que passando por um feriado não justifica a baixa produtividade das equipes”.
E na maior desfaçatez cobra um subordinado a “motivar” os guardas “a trabalharem, a produzirem, por que é isso que a cidade precisa”. Na sequência, questiona: “até porque 10 abordagens num plantão de serviço, onde por vezes tem até cinco viaturas, isso eu faço pela manhã hein”.
Com esta atitude nociva e arbitraria, ressalta Pixoxó, a SEASP obriga os guardas a fazer abordagens para mostrar volume e serviço, quando deveria orientar a abordagem a partir de uma fundada suspeita. “Como esta medida irresponsável pode incorrer nossos companheiros e companheiras a responder por abuso de autoridade”.
A fundada suspeita é o requisito legal obrigatório exigido pelo Código de Processo Penal (artigo 244) para que a polícia possa realizar uma busca pessoal (revista) sem a necessidade de um mandado judicial.
“Uma vergonha o que está sendo feito com nossos guardas. Sem valorização, plano de carreira e respeito, são pressionados e cumprir determinações de um secretário que está pensando em números, não em ações ostensivas. Moral da história, quer que os GCMs se lasquem”, critica.

