Um projeto educacional sólido, bem estruturado e eficiente exige ações estratégicas que contemplem todas as crianças, sem exceções.
Em Praia Grande, porém, a atual gestão tem seguido na direção oposta, adotando medidas controversas — sem diálogo com a comunidade — que prejudicam diretamente pais, mães, estudantes e profissionais da educação.
Nesta quinta-feira (14), a Secretaria de Educação publicou a Portaria SEDUC nº 039/2025. O artigo 1º estabelece: “Os ocupantes dos cargos de Atendente de Educação I e Educador de Desenvolvimento Infantojuvenil terão lotação específica nas escolas que oferecem o segmento da Educação Infantil.”
No parágrafo único, a pasta justifica a mudança alegando necessidade de apoio em unidades que atendem outros níveis de ensino, o que ocorreria “conforme a necessidade da Administração Pública e obedecido ao disposto em normativa própria da Secretaria”.
A decisão, no entanto, surpreendeu servidores e famílias. Ela afeta especialmente mães atípicas — responsáveis por crianças que demandam cuidados diferenciados. Com a redistribuição, os alunos terão suas rotinas profundamente alteradas ao passarem a ser acompanhados por novos profissionais. Isso rompe vínculos afetivos e pode desencadear sérios impactos emocionais e comportamentais tanto nas crianças quanto nos trabalhadores.
Uma das mães atuantes na defesa dos direitos desse grupo, Esther Valencio, procurou o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Praia Grande indignada com a situação.
“É uma decisão absurda, que desorganiza totalmente o ambiente escolar. Nossas crianças são muito sensíveis a mudanças, e não sabemos quais consequências virão com a entrada de pessoas sem vínculo, preparo ou afinidade”, afirma.
Ela reforça o pedido de apoio. “Precisamos da união das mães e do Sindicato. Sinceramente, não entendemos o que está acontecendo.”
O presidente da entidade, Adriano Pixoxó, que assumiu a linha de frente da mobilização, criticou duramente a medida. “Mais uma atitude lamentável que atinge, de forma covarde, nossa população e nossos servidores. Agora, o impacto recai sobre crianças que necessitam de atenção especial. A falta de sensibilidade dos gestores pode gerar danos emocionais e psicológicos graves”, declarou.
O Departamento Jurídico do Sindicato já iniciou os procedimentos para esclarecer os fundamentos da portaria: quais estudos embasaram sua criação, se houve consideração às necessidades das mães atípicas, quais efeitos a mudança trará à rotina dos servidores, entre outros pontos que serão encaminhados à SEDUC.
“Vamos aguardar o parecer do nosso jurídico para levar essa portaria à justiça”, concluiu Pixoxó.

