A saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores municipais continuam entre as principais prioridades da direção do Sindicato dos Servidores Públicos de Praia Grande.
Recentemente, perdas de companheiras em decorrência da sobrecarga e do estresse nos ambientes de trabalho reforçaram a gravidade do problema. Na ocasião, o presidente Adriano Pixoxó comprometeu-se a adotar medidas concretas para mudar esse cenário, que vem afetando a categoria desde a pandemia.
Como ação prática, a entidade protocolou o ofício nº 168/2025, em 22 de agosto, endereçado ao prefeito Alberto Mourão e às secretarias municipais, solicitando informações sobre “a existência de programas, projetos ou serviços psicológicos voltados aos servidores nas diversas pastas da Prefeitura”.
O pedido teve como referência a experiência bem-sucedida da cidade de Schroeder (SC), que implantou um projeto pioneiro de cuidado emocional com oficinas terapêuticas em grupo e atendimentos individuais, em parceria com o SESI – iniciativa que reforça a valorização e a formação continuada do funcionalismo.
RESPOSTA DEMOROU, MAS VEIO
Por meio do ofício 736/2025/GP, quase um mês depois, a administração municipal respondeu sobre “a natureza do acolhimento psicológico dentro do âmbito da Medicina do Trabalho”. O texto afirma que “os atendimentos devem ter caráter breve, focal e de acolhimento, aconselhamento e orientação psicológica, não se configurando como psicoterapia (tratamento), função esta da rede pública ou privada de saúde. O foco é ocupacional, compreendendo de que forma o ambiente laboral pode gerar sofrimento psíquico”.
A Prefeitura acrescenta: “Reforçamos o total comprometimento e disponibilidade desta Divisão de Medicina do Trabalho no apoio aos gestores e servidores, coletivamente e de forma individual, na identificação de fatores de risco psicossociais. Nos casos em que se verifica necessidade de acompanhamento em saúde mental, o encaminhamento é realizado à rede de atenção – pública (SUS) ou particular”.
SINDICATO EXIGE AÇÕES EFETIVAS
“As explicações são bonitas no papel, mas a realidade é bem diferente”, contrapõe Pixoxó. Ele cita os inúmeros problemas constatados nos setores públicos e as frequentes reclamações recebidas pelos canais de ouvidoria do Sindicato.
“A qualidade de vida dos trabalhadores é prioridade máxima. A administração deve investir na Medicina do Trabalho, como é seu dever, mas também revisar os processos internos para garantir melhores salários, benefícios e condições adequadas. Esse é um processo contínuo e integrado, que só funciona se for levado a sério”, destaca.
A diretoria da entidade continuará o plano de fiscalização nos locais de trabalho, observando irregularidades, registrando ocorrências e formalizando denúncias junto às secretarias competentes. O Sindicato também reforça a importância da participação da categoria: “As manifestações recebidas pelos nossos canais oficiais são o termômetro do sofrimento e do grito de socorro dos servidores.”

