Comissão eleita para participar das negociações salariais tentou dissuadir os presentes, mas a decisão foi unânime

 

Nesta quinta-feira (25) cerca de 150 servidores compareceram ao auditório da Colônia de Férias do Sindicato dos Comerciários de SP e decidiram pela manutenção do movimento grevista e quais passos serão dados para início da greve dos servidores municipais de Praia Grande. A decisão veio após o poder executivo interromper as negociações e enviar Projeto de Lei com reajuste de 6% sem comunicar o sindicato.

A assembleia foi conduzida pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Praia Grande, Givanildo Berto da Silva, o Gil e os advogados Jamir Menali e Rafael Ceroni. “A greve é um choque entre o empregador e o empregado. Na verdade, as duas partes devem estar prontas para que, através do diálogo, possam resolver todos os problemas, não só os relacionados à questão salarial”, afirmou Jamir Menali, assessor Jurídico do Sindicato e Chefe do Departamento Jurídico das Federação dos servidores municipais do Estado de São Paulo e da Confederação Nacional dos Servidores Municipais.

Comentando ainda sua percepção sobre o que acontece na política de recursos humanos do Município, o jurista afirmou que “(…) há questões como a comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA), que não são difíceis de serem resolvidas. Me parece que falta à Administração a capacidade de se debruçar e apresentar soluções. Além de prevenir que o trabalhador sofra mutilações ou até perca a vida, a CIPA ajuda a evitar aposentadorias precoces em razão de invalidez. Há 19 itens na Pauta de Reivindicações que podem ser discutidos e introduzidos à categoria. Porém, quando enviou o projeto de lei para a Câmara da forma como fez, o Governo inflamou a insatisfação que hoje culmina na greve”.

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Membros da comissão eleita em assembleia para participar da negociação ao lado do Sindicato, se posicionaram contrários ao início do movimento paredista em razão do pequeno número de participantes. Mesmo assim, foram vencidos nos debates e a greve foi aprovada pela unanimidade dos presentes. Muitos dos presentes usaram a palavra para elogiar a atuação do presidente e da entidade.

O presidente Gil avaliou como positiva a decisão da categoria. “Esse ano não houve interferência de candidatos e conseguimos cumprir cada etapa do processo sem ninguém atrapalhar. Há vários pontos em que podemos avançar, nossa pauta tem 19 itens e todos são importantes. Temos o apoio da nossa central, a Força Sindical, da Federação e da Confederação. A estrutura está garantida! Espero, sinceramente, que as pessoas deixem um pouco as redes sociais para realmente lutar por melhorias para todos. Vamos à luta!”, concluiu.

 

Entenda o caso – Ignorando a decisão da assembleia informada através de ofício protocolado no Gabinete do Prefeito na manhã do último dia 17, o Executivo de Praia Grande enviou Projeto de Lei de reajuste salarial à Câmara para votação em caráter de urgência. Com 17 votos favoráveis e apenas dois contrários, o Legislativo aprovou o índice de 6% de aumento. O presidente Gil disse, à época, se sentir desrespeitado com a ação, uma vez que as negociações ainda não haviam se encerrado.

“Foi um ‘rolo compressor’ desnecessário! Quem estava presente na Câmara viu. Tentei de tudo! Cheguei a entrar na reunião particular dos vereadores pedindo para suspender a votação, mas não obtive sucesso. Os servidores presentes protestaram o tempo todo assim que souberam que o projeto entraria na pauta e, mesmo assim, a votação aconteceu. É triste, já que claramente houve um desrespeito não ao presidente do Sindicato, mas sim a todos os servidores. Não se encerra uma negociação desse jeito”, lamentou Gil.

Surpresos e indignados, os servidores presentes gritavam palavras de ordem e clamavam pela oportunidade de prosseguir com as negociações para, assim, suspender a votação que acontecia no plenário, o que acabou não se concretizando. “Quem me conhece sabe que sou respeitoso e não gosto de criticar ninguém, prefiro construir pontos ao invés de muros entre as pessoas; mas não haveria prejuízo algum se a sessão fosse suspensa e os vereadores até poderiam contribuir no diálogo junto ao governo e votassem, cada um com a sua consciência, na quarta-feira seguinte. Isso é ruim porque hoje fomos nós servidores, amanhã poderão ser outros setores da sociedade passando pela mesma situação”, lastimou o presidente da entidade.