Funcionalismo entendeu como desrespeitosa a atitude da Administração de enviar e fazer aprovar projeto de lei do reajuste salarial na Câmara Municipal, ignorando negociação que ainda estava em curso

 

Ignorando a decisão da assembleia informada através de ofício protocolado no Gabinete do Prefeito na manhã da última quarta-feira (17), o Executivo de Praia Grande enviou Projeto de Lei de reajuste salarial à Câmara para votação em caráter de urgência. Com 17 votos favoráveis e apenas dois contrários, o Legislativo aprovou o índice de 6% de aumento. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Praia Grande, Givanildo Berto da Silva, o Gil, disse se sentir desrespeitado com a ação, uma vez que as negociações ainda não haviam se encerrado.

“Foi um ‘rolo compressor’ desnecessário! Quem estava presente na Câmara viu. Tentei de tudo! Cheguei a entrar na reunião particular dos vereadores pedindo para suspender a votação, mas não obtive sucesso. Os servidores presentes protestaram o tempo todo assim que souberam que o projeto entraria na pauta e, mesmo assim, a votação aconteceu. É triste, já que claramente houve um desrespeito não ao presidente do Sindicato, mas sim a todos os servidores. Não se encerra uma negociação desse jeito”, lamenta Gil.

Surpresos e indignados, os servidores presentes gritavam palavras de ordem e clamavam pela oportunidade de prosseguir com as negociações para, assim, suspender a votação que acontecia no plenário, o que acabou não se concretizando. “Quem me conhece sabe que sou respeitoso e não gosto de criticar ninguém, prefiro construir pontos ao invés de muros entre as pessoas; mas não haveria prejuízo algum se a sessão fosse suspensa e os vereadores até poderiam contribuir no diálogo junto ao governo e votassem, cada um com a sua consciência, na quarta-feira seguinte. Isso é ruim porque hoje fomos nós servidores, amanhã poderão ser outros setores da sociedade passando pela mesma situação”, lastimou o presidente da entidade.

Segundo o líder sindical, será publicado edital convocando uma nova assembleia para organização da greve e outras providências. “Vamos fazer tudo dentro da lei, com os pés firmes no chão, mas utilizaremos de todos os meios necessários para informarmos os servidores e a população. É importante ressaltar: A luta é de todos! Todos querem ganhar mais! Agora é a hora de os servidores mostrarem, sem envolvimento de candidatos a vereador ou prefeito, se realmente querem participar do processo para que todos ganhem mais ou se preferem ficar sentados reclamando nas redes sociais”, salientou.

A assembleia de organização da greve acontecerá na próxima quinta-feira (25), na Colônia de Férias dos Comerciários, na Avenida Guilhermina, 240 às 18h em primeira chamada e 19h em sua segunda chamada.

 

Assembleia – Cerca de 200 pessoas compareceram no auditório da Colônia de Férias do Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo na noite de terça-feira (16). Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do Gil, os advogados Jamir Menalli, Marcio Miorim e Luiz Sérgio Trindade, além dos membros da comissão de servidores. O Estatuto da Entidade foi respeitado e a assembleia teve início, em sua segunda chamada, pontualmente às 19h, conforme previsto no edital de convocação.

Durante a reunião, o Dr. Jamir explanou, de forma técnica, sobre as propostas vindas da administração municipal e sobre alguns itens da pauta que podem ser alcançados mesmo sem o posicionamento do prefeito. “Muitas das reivindicações aqui presentes podem ser conseguidas até de forma judicial. Caso o prefeito não queira negociar com o sindicato de forma política, embora não seja a forma mais rápida, pois o ideal é sempre resolver com diálogo, podemos resolver através da Justiça”, pontuou o jurista. Ainda segundo o Dr. Jamir, “(…) quero destacar o modo extremamente democrático como o presidente Gil está conduzindo toda a campanha salarial. Deu voz aos servidores, acatou opiniões e não impôs nenhuma condição aos servidores que participaram das assembleias”.

Já quanto ao reajuste, a contraproposta da administração foi recusada pela categoria. O chefe do executivo praia-grandense se reuniu com o presidente do sindicato e a comissão de servidores, eleita em assembleia e, no encontro, ofereceu duas possibilidades de reajuste: a primeira, 4,02% com um bônus em dezembro de R$ 700. A segunda proposta foi de 6% de reajuste sem o bônus de R$ 700. Ambas foram rejeitadas pela categoria. Além dos índices de reajuste, a prefeitura propôs revalorização de 12,5% no cartão cesta básica, elevando o benefício de R$ 240 para R$ 270, que também foi considerada insuficiente pelos presentes. Outra concessão foi o pagamento do vale transporte intermunicipal que, atualmente, é limitado ao deslocamento dentro do município.

Para Gil, “(…) a decisão é o retrato do sentimento da categoria, isso ninguém pode negar. O ano passado houve grande desgaste porque a equipe técnica do prefeito deixou estourar o prazo legal para concessão de reajuste maior que a inflação por ser ano eleitoral. Sabemos, também, que a despesa com pessoal fechou 2016 em 42% da receita corrente liquida, bem abaixo dos 45% que historicamente foram mantidos nos últimos 10 anos. Não há uma justificativa para se negar a valorização dos servidores e no final do exercício apresentar superávit”, disse.

Com a recusa das propostas, os servidores permanecem em estado de greve e esperam que o prefeito responda, de modo oficial, sobre os demais itens da pauta – 19 ao todo.